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#29 Uma breve distinção: ambição construtiva e ambição destrutiva

Eu tento sempre pensar em qual será o próximo passo importante que darei na minha vida. E com “passo importante”, quero dizer algo que me fará avançar como indivíduo. No entanto, às vezes me questiono se essa mentalidade não pode acabar complicando nossa vida, em vez de melhorá-la.

Ouso fazer uma distinção entre ambição construtiva e ambição destrutiva. E, ao usar “destrutiva”, não o faço de maneira leviana. Pelo contrário, acredito que uma ambição mal direcionada pode nos levar à perda da saúde, tanto física quanto mental. E não apenas a nossa própria saúde, mas também a das pessoas ao nosso redor. Um exemplo claro disso é a figura de Gordon Gekko, do filme Wall Street dos anos 80, cuja filosofia “ganância é boa” (“greed is good”) reflete perfeitamente os perigos da ambição destrutiva.

O drama dessa questão é que quem é um vetor da ambição destrutiva, na maioria das vezes (e digo isso com base apenas na minha observação pessoal, sem qualquer fundamento em pesquisa científica), não tem consciência disso. Ou, então, foi tão corrompido por essa ambição que já não há mais volta.

Por outro lado, quem manifesta ambição construtiva tem um poder incrível: sua energia parece fluir sem esforço e iluminar muito além de si mesmo. Acredito que essa ambição surja da aceitação de que a vida é feita de ciclos, mais ou menos semelhantes, mas sempre desconhecidos. Podemos imaginar o amanhã, mas nunca saberemos exatamente como ele se desenvolverá. E não saber o que nos espera, não ter controle absoluto, não é algo ruim. Pelo contrário, aprender a se entregar ao desconhecido nos ensina a aceitar o fluxo natural da vida.

Já a ambição destrutiva parece estar enraizada no desejo de controle. E esse desejo, por sua vez, nasce do medo de perdê-lo. Por isso, essa forma de ambição tem um poder corrompedor: tudo aquilo que não sabemos deixar ir tem o poder de corromper nossa alma.